Children of Bodom

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Terça feira, mais uma noite gelada na capital paulista (inverno rigoroso é isso aí) e um clima perfeito para o show dos finlandeses do Children Of Bodom em sua segunda passagem pelo Brasil.

O Olympia recebeu um bom público para a apresentação da banda, apesar de não estar completamente lotado (leve em conta que estamos falando de uma gelada terça-feira à noite). Mas vamos lembrar que, para a primeira visita em 2001, o show no DirecTV Music Hall estava bem vazio e gerou um espetáculo até um pouco constrangedor.

Com certeza daquele ano para cá, a popularidade do Children Of Bodom cresceu assustadoramente e atingiu o ápice com o lançamento e a bela repercussão do último trabalho, o já clássico Hatecrew Deathroll. Por essa boa recepção ao novo CD, não é de se estranhar que a banda tenha escolhido para o setlist a maioria das músicas do novo trabalho e deixou alguns grandes clássicos do Something Wild e Hatebreeder de fora. Uma pena por um lado, já que deixamos de ouvir hinos como Hatebreeder, Warheart ou Touch Like Angel of Death, mas pareceu-me uma atitude correta já que as novas músicas têm uma energia incrível ao vivo e todos os fãs da banda já tem suas letras na ponta da língua.

Essa maior popularidade também pode ser comprovada pelo número de shows marcados para esta turnê em território nacional: enquanto que há 3 anos tivemos apenas dois shows (São Paulo e Curitiba), desta vez, nada menos que 5 grandes capitais foram agendadas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba). Vale destacar também a presença no show de São Paulo de integrantes do Angra e do Holy Sagga, bandas importantes do cenário nacional, e que mostram o respeito que o Bodom está alcançando com seus trabalhos.

O show em São Paulo estava marcado para começar às 21 horas, pelo menos era isso que constava no ingresso, mas as cortinas só se abriram mesmo com uma hora de atraso gerando uma certa impaciência nos bangers paulistanos. E olha que não houve banda de abertura.

Os finlandeses, para retribuir a espera, já entraram detonando com Hate Me, do penúltimo trabalho, Follow the Reaper. Um belo pano de fundo com a ilustração da capa do Hatecrew Deathroll deu o clima da apresentação juntamente com um belo jogo de luzes do Olympia sobre os integrantes da banda. Infelizmente, o som não estava lá essas coisas e o volume das guitarras estava bem baixo se comparado aos demais instrumentos. Durante a apresentação esse volume melhorou sensivelmente mas o problema não foi totalmente resolvido.

Ainda do Follow the Reaper eles também tocaram Bodom After Midnight, Kissing the Shadows e a maravilhosa Everytime I Die, que funciona muito bem ao vivo e até estava abrindo os shows há algum tempo atrás.

Dos primeiros (e melhores, na minha opinião) trabalhos, os destaques foram Deadnight Warrior e Silent Night, Bodom Night mas, infelizmente, nada dos hinos já citados nos parágrafos anteriores para o desespero dos fãs mais antigos.

No entanto, são as novas músicas que realmente chamam a atenção: é impressionante a agressividade e o peso que elas ganharam ao vivo e como Laiho segura o tranco numa boa, sem perder ou falhar sua marcante voz em nenhum momento, a não ser quando, lá pelo final do show, esqueceu a letra de uma música, mas a gente perdoa ele. As músicas Hatecrew Deathroll, Sixpounder e Angels Don´t Kill são exemplos desta nova fase da banda, que perdeu um pouco as características melódicas iniciais, mas está soando absurdamente mais consistente e violenta.

O vocalista e guitarrista, Alexi Laiho, é o grande líder do Bodom em cima e fora do palco. Ele corre e agita sem parar com os outros integrantes, sempre pedindo pela participação do público. Quando Laiho sente o pessoal esfriando e mais quieto, ele dá um jeito de tentar puxar o ânimo novamente através dos seus famosos gritos que levantam até defunto. O baixista Henkka Blacksmith foi outro destaque que não parou de agitar um segundo sequer e sempre agradecia a resposta dos fãs presentes sem perder a empolgação.

Janne Warman é um caso a parte, o tecladista é o grande diferencial da banda com suas harmonias que combinam perfeitamente com o peso do Children Of Bodom e, além disto, é um excelente músico. Vale lembrar que ele inclusive foi chamado para a primeira versão do Masterplan (banda dos Ex-Helloween Roland Grapow e Uli Kusch), mas acabou desistindo para ficar com seus colegas mais antigos. No começo do show, Janne parecia um pouco mal humorado e desconfortável (vai saber com o que…), mas com o passar dos minutos, ele foi, aos poucos, se animando e terminou, assim como em 2001, como um dos grandes destaques, especialmente após o seu dueto de solos guitarra – teclado com Alexi Laiho e da introdução inesperada de Holy Diver do DIO que gerou sorrisos em todos.

O baterista Jaska Raatikainen é outro que sempre esbanja simpatia e competência. Ele poderia ter sido um dos grandes destaques da noite se não fosse por um solo longo e chatinho de bateria (Ok, vocês sabem o que penso sobre esses solos) que poderia ter dado espaço a alguma outra música em seu lugar (ou três músicas para ser exato). O cara é um puta baterista, ninguém tem dúvida disso, mas a impressão é que ele estava sem grandes idéias sobre o que fazer para impressionar durante seu solo e se concentrou em uma batida mais básica. Mas nas músicas do Bodom em si, ele sempre manda muito bem, com precisão e rapidez.

O “novo” guitarrista Roope Latvala é um caso a parte, ele veio do Sinergy (onde atuava com Laiho) e teve a difícil tarefa de substituir um dos grandes símbolos da banda, o gordinho Alexander Kuoppala, que deixou o grupo na metade do ano passado alegando motivos particulares (na verdade, uma namorada) no meio da turnê. A verdade é que o peso desta responsabilidade é muito forte, especialmente porque Roope faz mais o tipo caladão, que não corre no palco e se limita a cumprir bem sua função de guitarrista base, já que a maioria dos solos é da responsabilidade mesmo de Laiho, e dentro desta expectativa, posso dizer que Roope se saiu muito bem.

O Children Of Bodom fez um show curto, de pouco mais de uma hora, mas que agitou e animou bastante todos os seus fãs e foi superior ao de 2001. Se a decisão de focar o setlist na fase mais recente não é uma unanimidade, o mesmo não pode ser dito sobre a energia transmitida pela banda em cima do palco. Vamos torcer para que eles não demorem mais 3 anos para voltar ao nosso país e que, da próxima vez, façam um show com uma duração decente.

Amanhã no DELFOS, a opinião do Carlos sobre o show, com mais fotos. Não perca!

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