Ratatouille

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O principal problema da Pixar é o seu passado. Depois de fazer dois dos filmes mais engraçados da história (Monstros S.A. e Procurando Nemo), a expectativa subiu a níveis estratosféricos e a qualidade não acompanhou. Ok, eles ainda mandaram muito bem em Os Incríveis, mas esse sofreu pela divulgação equivocada (afinal, não era um longa de comédia como foi vendido, mas uma história mais tradicional de super-heróis). Finalmente, Carros foi, na minha opinião, o grande tropeço do estúdio, onde deixaram de fazer comédias para todas as idades para investir em um desenho bobo e infantil, com predominância da lição de moral sobre as piadas. Logo, minha expectativa para Ratatouille era bem menor do que poderia ser.

Como já é tradição nos longas da Pixar, a sessão começa com um curta. Intitulado Quase Abduzido, conta a história de um ETzinho atrapalhado que não consegue abduzir um menino. Deveras divertido, é quase tão legal quanto o clássico For The Birds, que acompanhou Monstros S.A. nos cinemas.

Logo chegamos à atração principal, que levará o espectador para Paris. Mas não a Paris da Torre Eiffel ou do romance, mas em meio a uma colônia de ratos. Um dos ratinhos dessa colônia, Remy, tem sentidos apurados e não se contenta em viver do lixo como os seus companheiros. Ele quer mais. Ele sabe apreciar uma boa comida e, portanto, quer se tornar um cozinheiro. Mas como um rato pode virar um chef? Ficando amigo de um humano atrapalhado que trabalha em um restaurante, ora.

O padrão Pixar de qualidade está impregnado em cada fotograma. O design é lindo, ao mesmo tempo absurdamente fofo e ridiculamente engraçado. Assim como em Os Incríveis, todas as pessoas são completamente cartunescas, com personagens de meio metro andando em meio a outros de estatura normal. Os animais, por outro lado, são mais realistas, mas ainda assim muito divertidos.

Já a historinha continua sendo bem básica e, assim como 99% das animações estadunidenses, tem a partezinha triste no meio com a lição de moral sobre amizade. Eu sinto que minhas resenhas de desenhos estão ficando repetitivas, pois eu sempre reclamo disso, mas o que posso fazer se todos eles têm o mesmo defeito? É mais ou menos como os shows de Metal e os solos de bateria. Se eles repetem os problemas, é minha função repetir as críticas.

As piadas também são legais. Eu definitivamente recomendo Ratatouille para qualquer fã de comédias, mas não dá para negar que ele não é tão engraçado quanto os clássicos do estúdio. E é justamente isso que levou à afirmação do início da matéria. Se maravilhas como Monstros S.A. não tivessem vindo da Pixar, talvez a nota para Ratatouille fosse ainda maior. Contudo, eles nos acostumaram mal, viraram um estúdio de marca, que faz poucos filmes, mas que são sempre muito esperados. E isso acaba prejudicando eles, pois desde 2003 (ano em que lançaram Procurando Nemo), não fazem mais jus à fama. É triste, mas se continuar assim, vamos começar a esperar cada vez menos da Pixar. Espero que Wall-E recupere nossa confiança. O trailer, pelo menos, é divertido.

Curiosidade:

– O diretor de Ratatouille é Brad Bird, que dirigiu Os Incríveis e, antes disso, vários episódios dos Simpsons. O box da terceira temporada da família amarela tem, inclusive, comentários em áudio com o cara. Talvez ele participe também dos outros boxes, mas desses eu não tenho certeza.

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